Quinta-feira, 16 de Julho de 2009
o blog que quer deixar de fumar #9
decidiu deixar de comer carne e, até à data, não teve quaisquer sintomas de privação.
notas sobre a imagem
11.09.20011. golpe contra o império do visível
2. num minuto, as mesmas imagens em toda a parte
3. inicia-se um jejum das imagens: nada de mortes no ecrã
4. cultura anti-icónica ataca a vulnerabilidade dos símbolos do inimigo
5. sugestão: o crime pode ter sido inspirado por hollywood
6. medidas: censurar a violência dos filmes (culpa)
mas, se assim for:
o reino da imagem implicará sempre a morte do outro.
(não.)
porque a culpa só pode ser atribuída a pessoas, não a coisas.
coisas importantes
o paulo kauim trouxe toneladas de livros de poetas brasileiros e deixou-os cá para que possamos perceber com que autores é que ele se identifica, aqueles de que mais gosta. muitos destes livros nem sequer se encontram por cá, por isso, quem quiser vir espreitar poderá fazê-lo nos próximos dias (sem quaisquer custos adicionais).
foi há um ano que o paulo kauim entrou pela primeira vez na trama. trazia com ele um cd (para nos dar) e as provas de um livro de poesia.
hoje à noite ele estará cá novamente para apresentar o livro. a música estará a cargo dos couple coffee.
hoje à noite ele estará cá novamente para apresentar o livro. a música estará a cargo dos couple coffee.
Terça-feira, 14 de Julho de 2009
Perseguido por este poema 6
"Queria palavras novas, inventar uma outra linguagem para te perceber e celebrar.
Acreditava que o segredo estava nas palavras, e experimentei o corpo e o silêncio. Mas permanecias inacessível, confundindo-me a euforia dos gestos e o bulício da presença.
Um dia percebi que o teu olhar esvaziava as palavras e dediquei-me ao horizonte. À febre."
-"Longe do mundo"- Jorge Fallorca - Frenesi
namastê, dizia ele
«Por um lado, sobrestimamos o outro, por outro, menosprezamo-lo e estamos sempre a sobrestimarmo-nos e a menosprezarmo-nos, e quando nos deveríamos sobrestimar menosprezamo-nos, tal como nos deveríamos menosprezar quando nos sobrestimamos. E, de facto, sobrestimamos todo o tempo principalmente o que projectamos fazer porque, na verdade, cada trabalho do espírito é, como qualquer outro trabalho, sobrevalorizado em exagero e não há no mundo nenhum trabalho do espírito a que este mundo sobrevalorizado não pudesse renunciar, tal com não há ninguém, nenhum espírito, a que não se devesse renunciar neste mundo; aliás, a tudo se deveria renunciar caso tivéssemos força e coragem para isso.»
Thomas Bernhard, em Betão, Edições 70, Col. Caligrafias, 1989
Segunda-feira, 13 de Julho de 2009
querido diário
hoje salvaram-me a vida, várias vezes. e eu, que corro sempre atrás da mesma letra, começo a perceber quão grato pode ser um alfabeto inteiro.
contudo, voltei a andar de táxi. e isso não é bom. não é nada bom.
contudo, voltei a andar de táxi. e isso não é bom. não é nada bom.
sobre aquele certo pendor para a escrita 5
mas, de momento, há roupa para estender. e eu sou uma tipa meticulosa com a cor das molas.
poesia, música, filmes: esta semana, por aqui
QUINTA, 16, ENTRADA LIVRE, 21h30
Lançamento do livro DEMORÔ de paulo kauim
+
pocket show hai kai com luanda cozetti & norton daiello (COUPLE COFFEE)
+
performance poética com Paulo kauim
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mostra: invenção e fúria (algumas arestas da poesia brasileira hoje)
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pocket show hai kai com luanda cozetti & norton daiello (COUPLE COFFEE)
+
performance poética com Paulo kauim
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mostra: invenção e fúria (algumas arestas da poesia brasileira hoje)
Domingo, 12 de Julho de 2009
o estagiário, a.k.a., LV (Lenda Viva)
tem sido preciosíssimo. por exemplo, quando parapeitámos na passada sexta-feira, ao fresco do fim de tarde, com o objectivo de fazer um balanço sobre esta experiência (que já completou mais de metade do tempo proposto), foi mais importante o que ele disse sobre nós do que o que nós dissemos sobre ele. a mim, deu-me um ânimo do caraças.
sobre aquele certo pendor para a escrita 2
sempre que passo muitas horas na cozinha penso na sylvia plath. não há empenho que me redima. a minha comida é banal, muito pouco audaz, e os meus pratos parecem feitos para um soldado. tenho tanta vergonha das refeições que ofereço que, quando janto em frente ao convidado, não levanto os olhos do chão. é também isto que me acontece quando escrevo.
sobre aquele certo pendor para a escrita 1
demorei muito tempo a perceber que não era possível ficar deslumbrada com as prateleiras do pingo doce do cais do sodré (o design dos sacos dos vegetais cortados e lavados apela directamente ao meu centro de consumo) e escrever sobre o sentido da vida.
a okupação do coreto
foi ontem. e o fernando dinis, que também tocou, tirou algumas fotografias.(desta vez deu-me para ler a «4:48 psicose» da sarah kane. e umas linhas do senhor fallorca. e o manifesto da mulher futurista. estava assim a modos que enfurecida.)
Sexta-feira, 10 de Julho de 2009
É para ti
"as mulheres e as crianças são as primeiras que
desistem de afundar navios"
"um beijo que fosse um blue" - Ana Cristina César-
Quinta-feira, 9 de Julho de 2009
Quem não vier hoje...

...vai-se arrepender.
É que isto está mesmo a soar nas horas!
Será que o Sr Furtado ainda passa por cá?
Quarta-feira, 8 de Julho de 2009
coisas que chegam por mail
Chama-se Poema para a Catarina e acaba assim:
Volta com os primeiros anjos de dezembro
num vasto laranjal eu quero amar-te
e então a tua vida há-de ser a minha arte
e o teu vulto a única coisa que relembro
O passado é mentira digo eu
sensível ao esplendor do meio-dia
e sob a árvore plena da alegria
o mínimo cuidado esmoreceu
Ao grande peso de tanto passado
com a insónia da dúvida na testa
basta a tua presença que protesta
e todo eu me sinto renovado
Ruy Belo em Despeço-me da Terra da Alegria (1977)
Volta com os primeiros anjos de dezembro
num vasto laranjal eu quero amar-te
e então a tua vida há-de ser a minha arte
e o teu vulto a única coisa que relembro
O passado é mentira digo eu
sensível ao esplendor do meio-dia
e sob a árvore plena da alegria
o mínimo cuidado esmoreceu
Ao grande peso de tanto passado
com a insónia da dúvida na testa
basta a tua presença que protesta
e todo eu me sinto renovado
Ruy Belo em Despeço-me da Terra da Alegria (1977)
um estranho momento de calma
o estagiário no piso de baixo a tratar da sua primeira devolução.
o ricardo, cá em cima, sentado no sofá com a ventoinha a apontar para os pés.
e eu a pôr o cd do peter broderick, que ao fim de um minuto já está a cantar: and it's aaaaaaaaaalright.
é estranho. muito.
são raríssimos os momentos em que nos permitimos ficar assim, só a ouvir música, cada um a pensar no bocadinho de vida pessoal que ainda lhe resta.
and it's aaaaaaaaaalright, ele insiste. eu não sei se concordo.
o ricardo, cá em cima, sentado no sofá com a ventoinha a apontar para os pés.
e eu a pôr o cd do peter broderick, que ao fim de um minuto já está a cantar: and it's aaaaaaaaaalright.
é estranho. muito.
são raríssimos os momentos em que nos permitimos ficar assim, só a ouvir música, cada um a pensar no bocadinho de vida pessoal que ainda lhe resta.
com cinco letrinhas apenas...
"Quando se detém durante alguns minutos na observação da disposição de cada um dos pássaros em relação aos outros, o senhor Palomar sente-se preso a uma trama cuja continuidade se estende uniformemente e sem apresentar brechas, tal como se ele também fizesse parte desse corpo em movimento, um corpo composto por centenas e centenas de corpos separados, cujo conjunto no entanto um objecto unitário, como se fosse uma nuvem, ou uma coluna de fumo, ou um repuxo, ou seja, como se fosse qualquer coisa que, apesar da fluidez da sua substância, alcançasse na forma uma solidez que lhe é própria."
Italo Calvino, Palomar
"Almofadas e vasos, tapeçarias e jóias constituem a trama em que assentam os semantemas do discurso"Herberto Helder, em Photomaton & Vox
(o Senhor Rilke continua à espera, francisco)é já no sábado
e nós também vamos estar por lá, entre as 20h00 e as 20h30, com palavras e música (livreiros + baltazar molina)Parece um festival de verão, mas é só a «okupação do coreto» do jardim da estrela por 50 pessoas, entre músicos, cantores e palavras ditas.
HORÁRIO de actuações:
16h - 16h30 : Kumpania Algazarra
16h30 - 17h : Puzzle
17h - 17h30 : Stack em Blues
17h30 - 18h : Lula Pena
18h - 18h30 : Leituras : João Pacheco, Miguel Manso, E. M. Melo e Castro e Cyombra
18h30 - 19h : Babilónia Reduzida
19h - 19h30 : Jorge Ferraz
19h30 - 20h : Fernando Dinis (piano) e Reymundo (acordeão)
20h - 20h30 : Tramas
20h30 - 21h : Pedro e Diana
21h - 21h30 : Leituras : Luís Testa, Alice Valente Alves, Miguel Cardoso e Rui Antunes
21h30 - 22h : Paulo Condessa e Afonso Azevedo
22h - 22h30 : Apetite Mor
22h30 - 23h : Guto Pires
23h - 23h30 : Ventilan
23h30 - 24h : Samuel Úria e Amigos
Terça-feira, 7 de Julho de 2009
«actualiza a barra lateral do blogue»
«actualiza os concertos»
diziam-me certas vozes
já está, vozes.
contentes?
«actualiza os concertos»
diziam-me certas vozes
já está, vozes.
contentes?
a informação de Noé
- não há uma história, não há uma verdade.
- como uma biografia nunca é história nem verdade.
- o que me atormenta é não ter a certeza se a minha história corresponde à minha biografia.
- como uma biografia nunca é história nem verdade.
- o que me atormenta é não ter a certeza se a minha história corresponde à minha biografia.
i'm only into this to enjoy
«i wish: i want to stay here
i wish: this be enough
i wish: i only love you
i wish: simplicity»
i wish: this be enough
i wish: i only love you
i wish: simplicity»
Dos livros que apontam para nós
(Uma última consideração. Se permaneceres muito tempo prestes a dar o último passo em direcção à verdade, paciente, esperando, ou seja: prestes a. Se muito tempo permaneceres assim, quando finalmente agires o último passo não será o último, mas sim o primeiro, pois tanto tempo passou que todos os outros passos foram esquecidos. E tudo recomeça.Dirás então: é necessário memória. Direi: é necessário coragem.)
-"Breves notas sobre as ligações" - Gonçalo M Tavares
Segunda-feira, 6 de Julho de 2009
fico confusa
quando um editor diz que não é aliado do capitalismo e lança vários dos seus livros numa das maiores cadeias de lojas de computadores, televisores, ipods, aparelhagens e livros.
algumas possibilidades para a minha confusão:
a) a minha definição de «aliado» está errada;
b) a minha definição de «capitalismo» está errada;
c) associar «capitalismo» a «cadeias de lojas deste género» é errado;
d) associar «lançamento» a «aliado» é errado.
algumas possibilidades para a minha confusão:
a) a minha definição de «aliado» está errada;
b) a minha definição de «capitalismo» está errada;
c) associar «capitalismo» a «cadeias de lojas deste género» é errado;
d) associar «lançamento» a «aliado» é errado.
sim, sim:
o terceiro volume do Stieg Larsson já chegou.
não, não:
não temos t-shirts para oferecer.
mas:
afinal de contas:
ninguém vem aqui procurar roupa.
pois não?
não, não:
não temos t-shirts para oferecer.
mas:
afinal de contas:
ninguém vem aqui procurar roupa.
pois não?
hoje acordei assim
Long afloat on shipless oceans
I did all my best to smile
til your singing eyes and fingers
Drew me loving to your isle
And you sang
Sail to me
Sail to me
Let me enfold you
Here I am
Here I am
Waiting to hold you
Did I dream you dreamed about me?
Were you hare when I was fox?
Now my foolish boat is leaning
Broken lovelorn on your rocks,
For you sing, touch me not, touch me not, come back tomorrow:
O my heart, o my heart shies from the sorrow
I am puzzled as the newborn child
I am troubled at the tide:
Should I stand amid the breakers?
Should I lie with death my bride?
Hear me sing, swim to me, swim to me, let me enfold you:
Here I am, here I am, waiting to hold you
Tim Buckley
+
ilustração de Noemí Villamuza no Libro de Nanas editado pela Mediavaca
I did all my best to smile
til your singing eyes and fingers
Drew me loving to your isle
And you sang
Sail to me
Sail to me
Let me enfold you
Here I am
Here I am
Waiting to hold you
Did I dream you dreamed about me? Were you hare when I was fox?
Now my foolish boat is leaning
Broken lovelorn on your rocks,
For you sing, touch me not, touch me not, come back tomorrow:
O my heart, o my heart shies from the sorrow
I am puzzled as the newborn child
I am troubled at the tide:
Should I stand amid the breakers?
Should I lie with death my bride?
Hear me sing, swim to me, swim to me, let me enfold you:
Here I am, here I am, waiting to hold you
Tim Buckley
+
ilustração de Noemí Villamuza no Libro de Nanas editado pela Mediavaca
Domingo, 5 de Julho de 2009
aviso à população:
a obra completa do nuno bragança, lida tipo shot, pode causar danos irreversíveis.
(já agora, diz ele que "quem depende de outra criatura não tem a liberdade mínima indispensável para ser pessoa". eu cá também acho.)
(já agora, diz ele que "quem depende de outra criatura não tem a liberdade mínima indispensável para ser pessoa". eu cá também acho.)
O ESTAGIÁRIO / O FORMANDO
Há cerca de um mês recebemos um e-mail de alguém que queria trabalhar connosco. Não é raro chegar-nos um curriculum, ou entrar alguém para perguntar se por acaso não estaremos a precisar de colaboradores, mas este e-mail era diferente: esta pessoa não pedia emprego, pedia formação. E, por essa formação, estaria disposta a pagar com trabalho.
Foi numa conversa ao vivo, uma semana depois, que conhecemos o Pedro. Tentámos perceber quais as motivações e objectivos e explicámos que talvez a nossa forma de trabalhar não correspondesse ao que se encontra nos livros da especialidade. Ao mesmo tempo, tentámos demonstrar que sentimos não ter vocação para ser chefes: trabalhamos, eu e o Ricardo, nas áreas em que nos sentimos melhor, quase intuitivamente, sem reuniões para definir quem faz o quê, ou de que forma se vai agir, a não ser que se trate de uma questão complicada ou que não tenhamos a certeza de qual a melhor maneira de actuar.
Por outro lado, não me parece fácil pedir a alguém que faça isto ou aquilo sem estar a ser pago… Por isso combinámos um horário leve e flexível: quatro horas por dia, quatro ou cinco dias por semana, algumas manhãs, algumas tardes e uma ou duas noites. Tudo isto, ao longo de um mês.
E ele aceitou.
A ideia é: conhecer o funcionamento geral de uma livraria, o programa das vendas, a forma de arrumação, as tarefas quotidianas, a programação, as compras e vendas, as dificuldades, o atendimento ao cliente, gestão do dia-a-dia, organização, marketing… etc. No fundo, como o próprio escreveu: Começar uma livraria do nada: o bê-à-bá.
Duas das quatro semanas combinadas já passaram. O Pedro tem atendido clientes, inserido facturas, arrumado secções inteiras e, para grande alívio meu, até organizou a tonelada de papéis que estava à minha espera dentro do armário. É importante referir que em momento algum se pensou em ter nesta pessoa um tarefeiro que resolve as piores tarefas ou vai tirar uns cafés (agora que penso nisso…). Sabemos que é frequente, em muitas empresas, que os estagiários sejam encarados com desconfiança e destinados a funções para as quais nem sequer estudaram (atender o telefone e tirar fotocópias, por exemplo), mas queremos que esta experiência seja de facto útil, que constitua uma experiência válida, e não mais um ponto para o Curriculum Vitae.
No fim do mês, “o estagiário” terá que fazer um relatório sobre esta experiência e eu já estou bastante curiosa. Às vezes sinto que estamos tão dentro disto que podemos perder perspectiva e é interessante ouvir as opiniões de alguém que, embora não tenha experiência nesta área, tenha ideias novas e leituras diferentes.
Se quiserem passar por cá para pô-lo à prova, pregar-lhe partidas ou simplesmente desafiá-lo com pedidos extravagantes, estejam à vontade.
Nos próximos tempos tentarei escrever mais sobre esta experiência.
Foi numa conversa ao vivo, uma semana depois, que conhecemos o Pedro. Tentámos perceber quais as motivações e objectivos e explicámos que talvez a nossa forma de trabalhar não correspondesse ao que se encontra nos livros da especialidade. Ao mesmo tempo, tentámos demonstrar que sentimos não ter vocação para ser chefes: trabalhamos, eu e o Ricardo, nas áreas em que nos sentimos melhor, quase intuitivamente, sem reuniões para definir quem faz o quê, ou de que forma se vai agir, a não ser que se trate de uma questão complicada ou que não tenhamos a certeza de qual a melhor maneira de actuar.
Por outro lado, não me parece fácil pedir a alguém que faça isto ou aquilo sem estar a ser pago… Por isso combinámos um horário leve e flexível: quatro horas por dia, quatro ou cinco dias por semana, algumas manhãs, algumas tardes e uma ou duas noites. Tudo isto, ao longo de um mês.
E ele aceitou.
A ideia é: conhecer o funcionamento geral de uma livraria, o programa das vendas, a forma de arrumação, as tarefas quotidianas, a programação, as compras e vendas, as dificuldades, o atendimento ao cliente, gestão do dia-a-dia, organização, marketing… etc. No fundo, como o próprio escreveu: Começar uma livraria do nada: o bê-à-bá.
Duas das quatro semanas combinadas já passaram. O Pedro tem atendido clientes, inserido facturas, arrumado secções inteiras e, para grande alívio meu, até organizou a tonelada de papéis que estava à minha espera dentro do armário. É importante referir que em momento algum se pensou em ter nesta pessoa um tarefeiro que resolve as piores tarefas ou vai tirar uns cafés (agora que penso nisso…). Sabemos que é frequente, em muitas empresas, que os estagiários sejam encarados com desconfiança e destinados a funções para as quais nem sequer estudaram (atender o telefone e tirar fotocópias, por exemplo), mas queremos que esta experiência seja de facto útil, que constitua uma experiência válida, e não mais um ponto para o Curriculum Vitae.
No fim do mês, “o estagiário” terá que fazer um relatório sobre esta experiência e eu já estou bastante curiosa. Às vezes sinto que estamos tão dentro disto que podemos perder perspectiva e é interessante ouvir as opiniões de alguém que, embora não tenha experiência nesta área, tenha ideias novas e leituras diferentes.
Se quiserem passar por cá para pô-lo à prova, pregar-lhe partidas ou simplesmente desafiá-lo com pedidos extravagantes, estejam à vontade.
Nos próximos tempos tentarei escrever mais sobre esta experiência.
Sábado, 4 de Julho de 2009
Não, não é o Manuel Alegre versão troiana

Fotografia: Margarida Oliveira
A peça teatral O Rancor - Exercício sobre Helena, de Hélia Correia, vai ser apresentada hoje, amanhã e domingo, sempre a partir das 20h15, na Fortaleza de Sesimbra, num espectáculo encenado por São José Lapa e Alberto Lopes. Do elenco fazem parte os actores Valerie Bradell, Jorge Fraga, São José Lapa, Paulo Pinto, Rui Pedro Cardoso, Inês Lapa Lopes e João Paiva. O preço do bilhete é cinco euros
O Novo e os especialistas 2
"Queres trazer algo de novo a esta caixa quadrada de 1 metro por 1 metro?
Então procura algo fora dela.
Eis o pressuposto óbvio de uma investigação.
Como entender, pois, os especialistas?"
- Gonçalo M Tavares - "Breves notas sobre ciência"
( sobre barbaridades escritas em artigos de chamada "crítica musical". De certo modo a crítica intitula o tagarela.
pronto Francisco, hoje 'tou passado).
Então procura algo fora dela.
Eis o pressuposto óbvio de uma investigação.
Como entender, pois, os especialistas?"
- Gonçalo M Tavares - "Breves notas sobre ciência"
( sobre barbaridades escritas em artigos de chamada "crítica musical". De certo modo a crítica intitula o tagarela.
pronto Francisco, hoje 'tou passado).
O Novo e os especialistas 1

"Só acrescentamos algo ao Mundo 1 - quer este seja uma disciplina científica ou apenas uma ideia - se trouxeres algo do Mundo 2.
Dito de outro modo, e sendo óbvio para avançar:
Nada que pertença ao Mundo 1 é novo para o Mundo 1.
Queres trazer-te o novo? Sai de ti"
- Gonçalo M Tavares - "Breves notas sobre a ciência"
(a propósito de uma sugestão deleuziana)
(sim Catarina, a pergunta mantém-se, forma ou cor? )
3 julho- Dia mundial do postal ( pelo menos do meu mundo)

Há um outro elemento(postal)que traz consigo "frases que vêm da floresta",mas é impossível de descrever "porque não temos connosco cordas de violino, nem todo o amplexo do ar".
Sexta-feira, 3 de Julho de 2009
impressões 3
quem lê este blogue corre o risco de imaginar uma Trama muito excêntrica. não é verdade, somos todos muito tímidos.
impressões 2
uma pessoa que nunca tenha vindo à livraria mas que vá lendo este blogue, pensará o quê, se entrar agora e der de caras comigo?
impressões 1
quase sempre trabalhei atrás de um balcão: numa loja de bijuteria e acessórios de moda, numa outra de puericultura e até numa papelaria sueca. houve também a fase dos call centers, mudei tarifários, fiz upgrades em packs empresa, contei minutos acumulados, fidelizei clientes. mais tarde, fui secretária, fiz orçamentos e fui a jantares de natal.
no entanto, agora que abri uma livraria é que me levam a sério.
no entanto, agora que abri uma livraria é que me levam a sério.
as pessoas são estranhas.
andam frases à solta no quintal
o irrepetível não se celebra, porque é único. toda a tentativa de recriação, regida por um calendário pouco atento às circunstâncias individuais, tende a originar uma sensação de nostalgia ou frustração porque, dia após dia, nada será como dantes.
(i rest my case)
I jumped in the river and what did I see?
Black-eyed angels swam with me
A moon full of stars and astral cards
All the figures I used to see
All my lovers were there with me
All my past and futures
And we all went to heaven in a little row boat
There was nothing to fear and nothing to doubt
Black-eyed angels swam with me
A moon full of stars and astral cards
All the figures I used to see
All my lovers were there with me
All my past and futures
And we all went to heaven in a little row boat
There was nothing to fear and nothing to doubt
Quinta-feira, 2 de Julho de 2009
Herrigel e a viagem Rato - Av. Roma (um conselho do Dr. Ricardo)
«(...) o fundamental é que o arqueiro, apesar da sua acção, se converta num centro imóvel. Então sucede algo grandioso e final, a arte deixa de ser arte e o tiro deixa de ser tiro, pois acontece sem arco e flecha. O professor converte-se novamente em aluno, o mestre em aprendiz, o fim em princípio e o princípio em perfeição.»
gosto da inclinação de certas palavras:
uma frase repousa sobre a tábua de engomar e a mão, que conduz o ferro, cria um vinco no tecido - isto é o itálico.
apesar disto, ana sabe que leva uma vida ordinária.
uma frase repousa sobre a tábua de engomar e a mão, que conduz o ferro, cria um vinco no tecido - isto é o itálico.
apesar disto, ana sabe que leva uma vida ordinária.
azul - movimento concêntrico. o som de azul é grave. «Ao avançar rumo ao preto, tinge-se de uma tristeza que ultrapassa o humano», diz Kandinsky em Do Espiritual na Arte.laranja - irradiação e expansão. «quando o vermelho é atraído na direcção do homem, o laranja aparece.», acrescenta. o som será o de uma poderosa voz de contralto.
Quarta-feira, 1 de Julho de 2009
wolfert brederode pela manhã
e uma palavra: ninguém.
mas. logo chega uma sms: «Conselho para evitar precipitações: 1. o tempo faz de uma forma outra forma 2. mas se esperarmos mais um pouco voltaremos a ver a forma inicial 3. o tempo é o ligador universal. é o dissolvente universal. Senhor Swedenborg - gonçalo m tavares»
parece uma palavra africana, talvez por causa do guê (ou do nin). é estranho, o som de ninguém. faço o exercício de que a e.m. falava há uns dias: ninguémninguémninguémninguémninguémninguémninguémninguém
ninguémninguémninguémninguémninguémninguém
ninguém é uma sirene,
um sino.
ninguémninguémninguémninguémninguémninguém
ninguém é uma sirene,
um sino.
alguém, pelo contrário, um aviso, um alarme.
reaparece, cada vez com mais força, um desejo antigo: deitar fora o telemóvel. na verdade, tenho dois. deitar fora os dois telemóveis.mas. logo chega uma sms: «Conselho para evitar precipitações: 1. o tempo faz de uma forma outra forma 2. mas se esperarmos mais um pouco voltaremos a ver a forma inicial 3. o tempo é o ligador universal. é o dissolvente universal. Senhor Swedenborg - gonçalo m tavares»
o que é isto?
"Agarrei num livro que trouxeras - L'Homme Révolté, do Camus. Comecei a reler troços dele, depois a saltar páginas buscando outras, relembradas. Por fim corri a reler o final dessa obra ainda tão por entender. Veio-me tal entusiasmo que saltei da cama, corri nu à casa de banho e li-te alto esse final.
«É», disseste. «Esse cara navegou.» Falaste debruçada sobre a banheira.
Vi então que olhavas fixamente as duas partes de uma saboneteira, as quais, invertidas, boiavam na água da banheira. Tu agitavas essa água com as mãos.
«Você está brincando como as crianças no banho», disse eu.
«Não», respondeste. Depois apontaste sucessivamente cada uma das duas partes da saboneteira. - «Olha só», disseste, «Aquela és tu, esta sou eu.»
«Qual é a ideia?, perguntei.
«É», disseste. «Esse cara navegou.» Falaste debruçada sobre a banheira.
Vi então que olhavas fixamente as duas partes de uma saboneteira, as quais, invertidas, boiavam na água da banheira. Tu agitavas essa água com as mãos.
«Você está brincando como as crianças no banho», disse eu.
«Não», respondeste. Depois apontaste sucessivamente cada uma das duas partes da saboneteira. - «Olha só», disseste, «Aquela és tu, esta sou eu.»
«Qual é a ideia?, perguntei.
ou então perco horas a pensar na relação entre certos objectos.
se ao menos pensar não fosse um exercício tão demorado.
a borracha torna a escrita transparente. a borracha existe para que o carvão cresça, por exemplo.
no entanto, o que fazer com uma simples caneta bic?
segue-se experiência em papel.
se ao menos pensar não fosse um exercício tão demorado.
a borracha torna a escrita transparente. a borracha existe para que o carvão cresça, por exemplo.
no entanto, o que fazer com uma simples caneta bic?
segue-se experiência em papel.
passei a tarde a desenhar corredores de luz, linhas, curvas, estradas. imaginava caminhos para a visão. imaginava ou. tinha visões. há muitas maneiras de dizer as mesmas coisas, mas. assim que se altera a maneira, a coisa é já outra. então: só há uma maneira de dizer cada coisa. é preciso saber bem o que se quer dizer, é muito fácil cometer um erro, escolher a palavra e depois (palavra já voz, linha, curva) não se pode voltar atrás.
se calhar é por isto que prefiro escrever.
Terça-feira, 30 de Junho de 2009
Percepções
Não bastou a queda, não bastou a mortandade, não bastou a escravidão.
" E um véu foi colocado sobre a face da Terra, e nomearam-no Ciência".
O pior castigo nem foi o ter visto, e agora cego; ter ouvido, e agora mudo.
O pior castigo foi o querer partilhar o que tinha visto, contar o que tinha ouvido, e ser ignorado.
O convite para habitarem na sua antiga morada, ser recusado.
Não comunicar, não chegar ao outro de forma clara e credível.
Ignorância por não terem acreditado.
Como as bacantes não creram nas palavras de Diónisos, não creram na sua ascendência divina.
Loucas comeram os seus próprios filhos. Loucas destruíram com os seus dentes o sonho mais precioso.
(sobre o "Primeiro Livro de Urizen" de William Blake -Jacques Crimmel)
Segunda-feira, 29 de Junho de 2009
Do esquecimento 6
Dois escritores que se esquecem de uma sessão de autógrafos, não merecem uma lágrima de Aquiles.
Do esquecimento 5
Um escritor que se esquece de um sessão de autógrafos não se pode admirar de não receber cartas de amor.
Do esquecimento 4
Se dois escritores se esquecem de uma sessão de autógrafos, não merecem dois minutos do tempo de um leitor.
Do esquecimento 3
Se um escritor se esquece de uma sessão de autógrafos merece não ser lido nem por um minuto.
Do esquecimento 2
Se dois escritores se esquecem de uma sessão de autógrafos, merecem uns bons litros de alcatrão.
Do esquecimento 1
Se um escritor se esquece de uma sessão de autógrafos merece uma caneta sem tinta.
senhoras e senhores, o programa de julho!
CONCERTOS, SEMPRE ÀS 21H30 (quer dizer...)
QUINTA, 2: Paporeto ( € 3,00)
O trio Paporeto é um projecto musical criado em 2009 em Haia pelo baterista/percussionista Marco Santos, pelo guitarrista Francisco Medina e pelo baixista Noa Stroeter. Três músicos que partilham o gosto pela musica Brasileira, o Jazz e o Funk e que encontraram a sua identidade musical juntos na mistura entre estes estilos e ritmos.
SEXTA, 3: ECOS DE LISBOA ( € 3,00)
Projecto composto por temas instrumentais apenas com guitarra e alguns acompanhados a piano. Os temas variam entre originais para guitarra clássica, eléctrica, ou semi-acústica, fados de Lisboa, arranjados para guitarra clássica, temas de outros guitarristas como David Gilmour, Pat Metheny, Mike Oldfield, Leo Brouwer), e sequencias improvisadas com efeitos de 'Eco'. Com Jan Van Nespen nos teclados.
QUINTA, 9: SELMA UAMUSSE ( € 3,00)
Actualmente aluna do Hot Clube de Portugal, começou a cantar profissionalmente no ano 2000 num grupo Gospel sob a direcção de Carlos Ançã e do pianista Ruben Alves, passando depois para a formação das 100 Vozes Gospel sob a direcção de Guy Destino. Tendo participado em colaborações em diversos projectos e universos musicais desde então, faz actualmente parte dos projectos musicais Faith Gospel Choir (Gospel), Wraygunn (Rock, Soul, Blues) e Funkoffandfly (funk). Com os restantes músicos convidados tem em comum o universo da música Gospel e o gosto pelo jazz. Com Augusto Macedo (Contrabaixo/Baixo Eléctrico), Daniel Lima (Piano) e Gonçalo Santos (Bateria)
SEXTA, 10: CHAPA (€3,00)
Os Chapa, banda composta pelos irmãos Fagundes, afirmam-se como uma das revelações mais entusiasmantes da música brasileira.
QUINTA, 16: Lançamento do livro DEMORÔ de paulo kauim
+
pocket show hai kai com luanda cozetti & norton daiello (COUPLE COFFEE)
+
performance poética com Paulo kauim
+
mostra: invenção e fúria (algumas arestas da poesia brasileira hoje)
ENTRADA LIVRE
«Pela orelha. A poesia entrou em mim pelo ouvido via-voz do meu pai repentista ainda na infância em Pernambuco. Ao final da adolescência, o impacto que tive com a poesia concreta me deixou sem falar. Fiquei sem saída. Fui reler João Cabral para sair da encruzilhada-xadrez de estrelas-xeque mate de galáxias. Levei quase trinta anos para publicar este livro. Já havia decidido morrer sem publicá-lo, porém a psicanálise e as falas guerreiras de Francisco Kaq, José Carlos Viera, Sérgio Vaz, Bob e SJ mudaram essa vontade mórbida em mim. Aqui o leitor encontrará, sem ordem cronológica, uma polifonia de textos ora de um jovem aos 20 e poucos anos, metafísico-verborrágico, ora encontrará textos concisos de um jovem senhor desobediente e transgressor em seu ofício. Esta obra é o contrário do Google. Demorô!»
Sobre o autor:
Paulo Kauim tem uma pós-graduação em Arte, Educação e Tecnologias Contemporâneas pela Universidade de Brasília (UnB). Tem poemas publicados em revistas, jornais e websites. Desde há quase trinta anos que se dedica à tarefa de reflectir e fazer arte, lutando contra um mundo menos bárbaro.
SEXTA, 17: MIGUEL MARTINS TRIO (€5,00)
QUINTA, 23: Oh No! It´s Betty Again! (€3,00)
“Oh no! it´s betty again” surge num contexto musical académico na Primavera de 2009, tendo como base uma formação clássica de um trio de jazz, neste caso guitarra, contrabaixo e bateria. O grupo pretende criar um elo de ligação entre a música “country” e o jazz americano através da comunicação musical e improvisação implícita, pretendendo assim encarar temas de carácter simples e composições elaboradas com a mesma seriedade.
Serão interpretados temas dos compositores Bill Frisell, Willie Nelson, Ry Cooder, Harry Link, Paula Sousa, Frederick Loewe entre outros, explorando deste modo as imensas possibilidades a nível harmónico e melódico dos vários instrumentos provenientes deste trio.
Bruno Pernadas – Guitarra; António Quintino – Contrabaixo; Alexandre Alves - Bateria
QUINTA, 30: NUNO COSTA TRIO (€3,00)
Com Nuno Costa (guitarra), Óscar Graça (teclados) e João Rijo (Bateria)
OUTRAS ACTIVIDADES
SÁBADO, 6: Inauguração da exposição READING POINT de Catarina Cabral (fotografia) ENTRADA LIVRE
Aproveitando de novo a oportunidade de expôr no espaço de uma livraria, Catarina Cabral concebeu Reading Point como uma continuação do seu último trabalho, Ponto de Encontro, focando a relação dos espaços com a leitura.
As fotografias de Reading Point mostram o cruzamento do livro com os espaços onde este está a ser lido. Trata-se de uma fusão entre o interior (a leitura) e o exterior (o espaço). Esta fusão torna-se também ela espaço-leitura nas imagens apresentadas.
SÁBADO, 25, 18h00: Clube do livro Respigarte - Lua e cinco tostões de S. Maugham ENTRADA LIVRE
QUINTA, 2: Paporeto ( € 3,00)
O trio Paporeto é um projecto musical criado em 2009 em Haia pelo baterista/percussionista Marco Santos, pelo guitarrista Francisco Medina e pelo baixista Noa Stroeter. Três músicos que partilham o gosto pela musica Brasileira, o Jazz e o Funk e que encontraram a sua identidade musical juntos na mistura entre estes estilos e ritmos.
SEXTA, 3: ECOS DE LISBOA ( € 3,00)
Projecto composto por temas instrumentais apenas com guitarra e alguns acompanhados a piano. Os temas variam entre originais para guitarra clássica, eléctrica, ou semi-acústica, fados de Lisboa, arranjados para guitarra clássica, temas de outros guitarristas como David Gilmour, Pat Metheny, Mike Oldfield, Leo Brouwer), e sequencias improvisadas com efeitos de 'Eco'. Com Jan Van Nespen nos teclados.
QUINTA, 9: SELMA UAMUSSE ( € 3,00)
Actualmente aluna do Hot Clube de Portugal, começou a cantar profissionalmente no ano 2000 num grupo Gospel sob a direcção de Carlos Ançã e do pianista Ruben Alves, passando depois para a formação das 100 Vozes Gospel sob a direcção de Guy Destino. Tendo participado em colaborações em diversos projectos e universos musicais desde então, faz actualmente parte dos projectos musicais Faith Gospel Choir (Gospel), Wraygunn (Rock, Soul, Blues) e Funkoffandfly (funk). Com os restantes músicos convidados tem em comum o universo da música Gospel e o gosto pelo jazz. Com Augusto Macedo (Contrabaixo/Baixo Eléctrico), Daniel Lima (Piano) e Gonçalo Santos (Bateria)
SEXTA, 10: CHAPA (€3,00)
Os Chapa, banda composta pelos irmãos Fagundes, afirmam-se como uma das revelações mais entusiasmantes da música brasileira.
QUINTA, 16: Lançamento do livro DEMORÔ de paulo kauim
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pocket show hai kai com luanda cozetti & norton daiello (COUPLE COFFEE)
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performance poética com Paulo kauim
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mostra: invenção e fúria (algumas arestas da poesia brasileira hoje)
ENTRADA LIVRE
«Pela orelha. A poesia entrou em mim pelo ouvido via-voz do meu pai repentista ainda na infância em Pernambuco. Ao final da adolescência, o impacto que tive com a poesia concreta me deixou sem falar. Fiquei sem saída. Fui reler João Cabral para sair da encruzilhada-xadrez de estrelas-xeque mate de galáxias. Levei quase trinta anos para publicar este livro. Já havia decidido morrer sem publicá-lo, porém a psicanálise e as falas guerreiras de Francisco Kaq, José Carlos Viera, Sérgio Vaz, Bob e SJ mudaram essa vontade mórbida em mim. Aqui o leitor encontrará, sem ordem cronológica, uma polifonia de textos ora de um jovem aos 20 e poucos anos, metafísico-verborrágico, ora encontrará textos concisos de um jovem senhor desobediente e transgressor em seu ofício. Esta obra é o contrário do Google. Demorô!»
Sobre o autor:
Paulo Kauim tem uma pós-graduação em Arte, Educação e Tecnologias Contemporâneas pela Universidade de Brasília (UnB). Tem poemas publicados em revistas, jornais e websites. Desde há quase trinta anos que se dedica à tarefa de reflectir e fazer arte, lutando contra um mundo menos bárbaro.
SEXTA, 17: MIGUEL MARTINS TRIO (€5,00)
QUINTA, 23: Oh No! It´s Betty Again! (€3,00)
“Oh no! it´s betty again” surge num contexto musical académico na Primavera de 2009, tendo como base uma formação clássica de um trio de jazz, neste caso guitarra, contrabaixo e bateria. O grupo pretende criar um elo de ligação entre a música “country” e o jazz americano através da comunicação musical e improvisação implícita, pretendendo assim encarar temas de carácter simples e composições elaboradas com a mesma seriedade.
Serão interpretados temas dos compositores Bill Frisell, Willie Nelson, Ry Cooder, Harry Link, Paula Sousa, Frederick Loewe entre outros, explorando deste modo as imensas possibilidades a nível harmónico e melódico dos vários instrumentos provenientes deste trio.
Bruno Pernadas – Guitarra; António Quintino – Contrabaixo; Alexandre Alves - Bateria
QUINTA, 30: NUNO COSTA TRIO (€3,00)
Com Nuno Costa (guitarra), Óscar Graça (teclados) e João Rijo (Bateria)
OUTRAS ACTIVIDADES
SÁBADO, 6: Inauguração da exposição READING POINT de Catarina Cabral (fotografia) ENTRADA LIVRE
Aproveitando de novo a oportunidade de expôr no espaço de uma livraria, Catarina Cabral concebeu Reading Point como uma continuação do seu último trabalho, Ponto de Encontro, focando a relação dos espaços com a leitura.
As fotografias de Reading Point mostram o cruzamento do livro com os espaços onde este está a ser lido. Trata-se de uma fusão entre o interior (a leitura) e o exterior (o espaço). Esta fusão torna-se também ela espaço-leitura nas imagens apresentadas.
SÁBADO, 25, 18h00: Clube do livro Respigarte - Lua e cinco tostões de S. Maugham ENTRADA LIVRE
Domingo, 28 de Junho de 2009
How can we know the dancer from the dance?

Negar a sucessão temporal, negar o eu, negar o universo astronómico, são desesperos aparentes e consolos secretos.
O tempo é a substância de que estou feito. O tempo é um rio que me arrebata, mas eu sou o rio; é um tigre que me destroça, mas eu sou o tigre; é um fogo que me consome, mas eu sou o fogo. O mundo, desgraçadamente,é real; eu, desgraçadamente, sou Borges.
Sexta-feira, 26 de Junho de 2009
Perseguido por este poema 5

Toquei num flanco súbito.
A mão que dolorosamente extraíra
rosas de mármore
dos sítios difíceis. Essa mão agora
nos trabalhos da alma: o flanco acordado, o abismo
da palavra. Resplandecia.
Levantava a pálpebra de jóia instantânea.
Das brancas ramas desentranha a corola
compacta, intrínseca, propagada
na árvore. Flanco e mão. E o nome que os ilumina
arboreamente.
- Herberto Helder -
Zero
Se não consegue é porque não respira correctamente. Depois de inspirar empurre suavemente o ar para baixo, até que a parede abdominal fique levemente contraída, e retenha-o aí por alguns momentos. Em seguida, expire da forma mais lenta e uniforme possível e depois de uma breve pausa, volte a tomar fôlego, rapidamente e de uma só vez. Continue a inspirar e expirar, até que esse ritmo se instalará gradualmente, por si só. Quando conseguir executar este exercício de maneira correcta, notará que o tiro com arco se torna mais fácil de dia para dia. Isto porque através desta respiração, não só descobre a origem de toda a força espiritual, como fará também que esta fonte brote sempre em abundância. Quanto mais relaxado estiver , mais ela flui pelos seus membros.O acto de inspirar une e reúne, no suster da respiração atingimos o ponto em que tudo está certo, e o expirar liberta e consuma, vencendo todas as limitações."
-"Zen e a arte do tiro com arco" - Eugen Herrigel
Abri e li
Estive com os monges mais antigos, pintores e de mitospregoeiros sem cessar,
serenamente escreviam histórias e desenhavam runas da
celebridade.
E Vejo-te nos meus rostos com ventos, águas e florestas
sem par
murmurando à beira da Cristandade,
ó terra impossível de iluminar.
Quero narrar-te, quero contemplar-te e descrever,
não com vermelho acastanhado e com ouro, só com tinta de
casca de macieira;
também não posso com pérolas às folhas te prender,
e a mais trémula imagem que os sentidos inventam à minha
maneira,
tu o exagerarias cegamente pelo teu simples ser.
Assim quero as coisas em ti apenas modesta e simplesmente
nomear,
quero referir os mais antigos reis, donde vieram,
e quero seus feitos e batalhas à margem das minhas páginas
anotar.
Pois tu és o solo. As épocas são para ti apenas como o Verão,
e pensas nas mais próximas de modo semelhante às que passaram,
e se elas a fecundar-te mais profundamente e construir-te
melhor aprenderam:
apenas te sentes levemente tocado por parecidas colheitas que
são e foram
e não ouves nem semeadores nem ceifeiros que sobre ti a
passar vão.
-"LIvro das Horas" - Sr Rilke -
Quinta-feira, 25 de Junho de 2009
na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza
o que eu sei é que era capaz de ficar aqui para sempre.
olha que isto é rock a sério, dizem
os jesus the misunderstood chegaram às cinco da tarde e AINDA estão a fazer o som.
ainda não tenho qualquer informação relativa àquilo que o ricardo chamará a quem não vier hoje.
ainda não tenho qualquer informação relativa àquilo que o ricardo chamará a quem não vier hoje.
sim, porque a catarina, ah e tal
Berrou um pássaro. «Ah! Xiça! Xiça! - disse Jaimemorto. - Assustaste-me. E isto que ia tão bem. Doravante, só falarei de mim na terceira pessoa. É uma coisa que me inspira.»
Boris Vian, em O Arranca Corações, Estampa (nº 1 da colecção Livro B), 1970
vendedor de serviços móveis - boa tarde, seria possível falar com o responsável?
livreira - oh, não está.
v.s.m. - e quando é que será a melhor altura?
livreira - para ser franca, não sei muito bem. eles não aparecem muito.
v.s.m. (atrapalhado) - compreendo... hm... nesse caso talvez lhe pudesse apresentar os nossos serviços a si, e a menina transmitia o recado.
livreira - a mim? ah, não vale a pena. já olhou para isto? se eu mandasse aqui...
v.s.m. - então vou deixar o meu cartão e tento para a semana
livreira - oh, não está.
v.s.m. - e quando é que será a melhor altura?
livreira - para ser franca, não sei muito bem. eles não aparecem muito.
v.s.m. (atrapalhado) - compreendo... hm... nesse caso talvez lhe pudesse apresentar os nossos serviços a si, e a menina transmitia o recado.
livreira - a mim? ah, não vale a pena. já olhou para isto? se eu mandasse aqui...
v.s.m. - então vou deixar o meu cartão e tento para a semana
livreira - sim, sim, vá tentando. os negócios andam muito mal, não andam? olhe, eu já não recebo há dois meses. se não fossem os meus pais estava feita ao bife. mas pronto, não quero deixá-lo mal impressionado, isto não é sempre assim...
admiráveis
Entrou, comprou o livro que estava exactamente ao lado do dele numa das nossas mesas para destaques e foi-se embora. Nos cinco minutos que isto durou, eu só pensava: digo ou não digo? digo ou não digo? digo ou não digo?
o caos, na poesia
livro das respostas, diz-me onde arrumo as pilhas de livros de poesia que já não cabem na secção que lhes foi destinada!
(FAÇA-SE OUVIR, foi a página em que o abri. Acho que algumas das minhas dúvidas existenciais devem estar de tal forma na epiderme que o livro, ao meu toque, se confundiu.)
(FAÇA-SE OUVIR, foi a página em que o abri. Acho que algumas das minhas dúvidas existenciais devem estar de tal forma na epiderme que o livro, ao meu toque, se confundiu.)
da imagem
ao início da tarde passou por aqui um dos 300 leitores do Rui Pires Cabral. chegando ao balcão, disse-me: é preciso ter muito cuidado com o que se lhe diz, não se sabe o que vai escrever no blogue a seguir...
assim, para não embaraçar este cliente, não vou escrever sobre ele, guardando toda e qualquer impressão para mim.
assim, para não embaraçar este cliente, não vou escrever sobre ele, guardando toda e qualquer impressão para mim.
das opções
repara, ana: ter opinião não é, nem nunca foi, uma vantagem.
suponho que a mania da sinceridade seja pura mimesis: às vezes lembro-me da minha mãe sentada na mesa da cozinha a acender um cigarro - uma amiga tinha acabado de lhe desligar o telefone na cara.
- mas o que é que lhe disseste?, perguntei.
- nada de especial - respondeu, com a incredulidade estampada na cara - só lhe perguntei como é que ela, que tinha tantos sonhos, se tinha tornado nisto.
suponho que a mania da sinceridade seja pura mimesis: às vezes lembro-me da minha mãe sentada na mesa da cozinha a acender um cigarro - uma amiga tinha acabado de lhe desligar o telefone na cara.
- mas o que é que lhe disseste?, perguntei.
- nada de especial - respondeu, com a incredulidade estampada na cara - só lhe perguntei como é que ela, que tinha tantos sonhos, se tinha tornado nisto.
ó francisco, anda cá ver isto
Muito quero, bem vês.Quero tudo talvez:
a obscuridade de cada infinita caída
e o jogo tremeluzente de cada subida.
Tantos há que vivem sem nada querer,
sendo servidos pelo seu ligeiro entender
com sentimentos alisados.
Mas tu não deixas de por cada rosto te embevecer
(...)
Quarta-feira, 24 de Junho de 2009
Ao que parece vai sempre haver Sabato
"A prosa é o diurno, a poesia é a noite: se alimenta de monstros e símbolos, é a linguagem das sombras e dos abismos. Portanto, não há grande romance que em última instância, não seja poesia."
Com cinco letrinhas apenas, nos Oráculos de Cabeceira
As cidades doem, estão dentro de nós
mantidas por laços de fumo e desejo,
têm muros úteis e portas escondidas
que dão para a noite, como certos livros,
e há amores que vivem a horas tardias
e outros que se cortam no fio da trama,
queimam paus de incenso para abrir
caminhos, remover obstáculos, há curvas
e arcos, ecos desolados, quartos de ninguém.
As cidades cansam, estão nos nossos
dias, têm mil janelas de azul virtual
que nunca sossegam e nunca terminam
e há corpos que ensinam a temer a morte,
sombras que circulam nas redes do escuro
e homens que ferem para não chorar.
Rui Pires Cabral, em Oráculos de Cabeceira, Averno (2009)
mantidas por laços de fumo e desejo,
têm muros úteis e portas escondidas
que dão para a noite, como certos livros,
e há amores que vivem a horas tardias
e outros que se cortam no fio da trama,
queimam paus de incenso para abrir
caminhos, remover obstáculos, há curvas
e arcos, ecos desolados, quartos de ninguém.
As cidades cansam, estão nos nossos
dias, têm mil janelas de azul virtual
que nunca sossegam e nunca terminam
e há corpos que ensinam a temer a morte,
sombras que circulam nas redes do escuro
e homens que ferem para não chorar.
Rui Pires Cabral, em Oráculos de Cabeceira, Averno (2009)
dúvidas de logística
em que secção é que se arruma o livro Os Nós - mais de 50 nós, dos mais úteis para o campismo, a vela desportiva, a pesca e o alpinismo?!
subinhados
"Ninguém comenta melhor a filosofia de um país que o seu exército, o modo como muitos patriotas se comportam no momento em que vencem. A filosofia de uma nação mede-se pelas crueldades médias da sua população mais simples."
Gonçalo M. Tavares, em Um Homem: Klaus Klump
Gonçalo M. Tavares, em Um Homem: Klaus Klump
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